Mesmo com a qualidade do ar em níveis insalubres, famílias levaram crianças para banho na Ponta Negra nesta segunda-feira (12), enquanto a fumaça das queimadas continuava encobrindo a capital amazonense
A cidade de Manaus enfrentou mais um dia de intensa fumaça nesta segunda-feira (12), com ruas, avenidas e pontos turísticos encobertos pela poluição atmosférica provocada pelas queimadas no Amazonas. Mesmo diante desse cenário, famílias acompanhadas de crianças e outros banhistas frequentaram a Praia da Ponta Negra, na zona oeste da capital, para aproveitar momentos de lazer.
Imagens registradas na praia mostram pessoas dentro da água e espalhadas pela faixa de areia, enquanto uma camada de fumaça compromete a visibilidade da paisagem. Ao fundo, prédios e áreas de vegetação aparecem parcialmente encobertos pela névoa, evidenciando os efeitos da poluição atmosférica na cidade.
Desde as primeiras horas da manhã, a fumaça já era perceptível em diferentes bairros de Manaus. Durante a tarde, a situação permaneceu preocupante, com a presença de poluentes no ar e a continuidade das condições que afetam a população.
Manaus registra quinto dia com pior qualidade do ar do Brasil
Nesta segunda-feira, Manaus completou cinco dias consecutivos com a pior qualidade do ar do Brasil, conforme dados da plataforma internacional IQAir.
Por volta das 6h, o Índice de Qualidade do Ar (AQI⁺) chegou a 195 pontos, nível considerado insalubre. A concentração de partículas finas PM2.5 atingiu 123 microgramas por metro cúbico (µg/m³).
O Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), também identificou níveis elevados de poluição. No bairro Armando Mendes, a concentração de partículas chegou a 218,2 µg/m³, classificação considerada péssima.
Os indicadores apontam condições prejudiciais à saúde, principalmente para pessoas que permanecem expostas à fumaça por períodos prolongados.
Famílias levam crianças à Ponta Negra em meio à poluição
Apesar das condições atmosféricas, a Praia da Ponta Negra recebeu famílias e banhistas durante esta segunda-feira. Crianças e adultos aproveitaram o espaço para tomar banho, enquanto a fumaça continuava presente na paisagem da capital.

A exposição à fumaça das queimadas pode provocar irritação nos olhos, nariz e garganta, tosse, dificuldade para respirar e agravamento de doenças respiratórias.
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com asma ou outras doenças pulmonares estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos da poluição.
Durante períodos de qualidade do ar insalubre, a recomendação é evitar atividades físicas ao ar livre, reduzir o tempo de exposição à fumaça e procurar atendimento médico em caso de sintomas respiratórios intensos.
Queimadas mobilizam operações de combate no Amazonas
A fumaça que encobre Manaus está relacionada aos incêndios florestais registrados em diferentes regiões do Amazonas.
No domingo (11), uma comitiva do Governo Federal sobrevoou áreas atingidas pelas queimadas e identificou diversos focos de incêndio, inclusive em regiões de floresta preservada.
Para reforçar as operações, o Governo Federal anunciou a mobilização de 11 aeronaves e o envio de brigadistas para atuar em conjunto com as equipes estaduais.
Nesta segunda-feira (12), o governador Roberto Cidade também reuniu prefeitos, representantes municipais e integrantes do Governo Federal para alinhar estratégias de enfrentamento aos incêndios florestais.
As operações têm como áreas prioritárias o entorno de Manaus, o Baixo Amazonas e a região de Autazes, com atuação prevista até Parintins.
Ao todo, 36 municípios amazonenses tiveram a situação de emergência reconhecida pelo Governo Federal em decorrência dos incêndios florestais.
Enquanto as equipes intensificam o combate às chamas, Manaus permanece sob uma densa camada de fumaça. Na Praia da Ponta Negra, a presença de famílias e crianças durante o período de poluição elevada mostra que as atividades de lazer continuam acontecendo, mesmo diante das condições insalubres do ar na capital.
