Amazonas vai cobrar medidas do Pará para conter fumaça que atinge Manaus

Governador Roberto Cidade anunciou que pretende dialogar com autoridades paraenses após identificação de focos de incêndio no estado vizinho; Corpo de Bombeiros já atuou no combate a mais de 24 mil focos no Amazonas

Manaus (AM) – O Governo do Amazonas anunciou que pretende estabelecer diálogo com o Governo do Pará para intensificar as ações de enfrentamento às queimadas que contribuem para a presença de fumaça em Manaus. A medida foi discutida nesta segunda-feira (26), durante reunião do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais (Copec).

Segundo informações apresentadas pelo Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), parte da fumaça que atingiu a capital amazonense nos últimos dias tem origem em focos de incêndio registrados na região do Baixo Amazonas e em municípios paraenses.

Diante da situação, o governador Roberto Cidade informou que buscará contato com representantes do governo do estado vizinho para discutir medidas de controle dos incêndios e reduzir os impactos da fumaça sobre a população.

A reunião também avaliou as operações de combate ao fogo, fiscalização ambiental e monitoramento realizadas na Região Metropolitana de Manaus e em municípios do interior.

Fumaça de incêndios no Pará pode voltar a atingir Manaus

De acordo com o comandante do Corpo de Bombeiros do Amazonas, coronel Orleiso Muniz, a fumaça observada recentemente em Manaus está relacionada a incêndios registrados em diferentes áreas da região amazônica, incluindo localidades do Pará.

Durante o encontro, o governador afirmou que pretende solicitar a articulação de sua equipe com as autoridades paraenses para discutir a situação.

“Nós já estamos trabalhando para fazer a nossa parte aqui no nosso estado, mas também vou pedir junto com a nossa equipe para entrar em contato com o Governo do Pará e ver o que é possível ser feito da parte deles para poder dialogar, porque essas fumaças vão chegar novamente daqui a dois ou três dias”, declarou Roberto Cidade.

A previsão mencionada pelo governador indica a possibilidade de novos episódios de fumaça na capital nos próximos dias, caso as condições de dispersão atmosférica favoreçam o deslocamento dos poluentes.

O governo estadual informou que continuará acompanhando os focos de incêndio e as condições ambientais para orientar as medidas de resposta.

Governador defende punição aos responsáveis por incêndios ilegais

Durante a reunião do Copec, Roberto Cidade também defendeu a responsabilização de pessoas envolvidas em queimadas ilegais no Amazonas.

O governador destacou o trabalho desenvolvido pelo Corpo de Bombeiros, pela Defesa Civil e pelos órgãos ambientais, além da cooperação com o Governo Federal e as prefeituras do interior.

“Ressalto que nós vamos seguir combatendo as queimadas e vamos cobrar para que cada criminoso que faz esse tipo de ação, que causa um transtorno muito significativo para o nosso estado e atrapalha a vida de milhares de amazonenses, seja penalizado”, afirmou.

Segundo o governo, as ações de fiscalização buscam identificar responsáveis por incêndios irregulares e aplicar as medidas administrativas e legais cabíveis.

Amazonas já combateu mais de 24 mil focos de incêndio em 2026

Entre 1º de junho e 25 de outubro deste ano, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas contabilizou 3.878 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais.

No mesmo período, as equipes atuaram no combate a 24.266 focos de incêndio em todo o estado.

Desse total, 4.728 focos foram registrados em Manaus, enquanto 19.538 ocorreram em municípios do interior.

A estrutura operacional conta com aproximadamente mil profissionais, entre bombeiros militares e brigadistas, envolvidos diretamente nas atividades de combate às chamas.

Para ampliar a capacidade de resposta em áreas de difícil acesso, o Governo do Amazonas também investiu na contratação de duas aeronaves especializadas.

Atualmente, 18 aeronaves de diferentes órgãos participam das operações, incluindo helicópteros e aviões utilizados no enfrentamento aos incêndios.

Operação Amazonas Mais Verde atua em 33 municípios

Iniciada em maio de 2026, a Operação Amazonas Mais Verde desenvolve ações de combate imediato a incêndios em 33 municípios amazonenses.

A iniciativa integra as estratégias estaduais para reduzir a propagação do fogo, ampliar a capacidade de atendimento das equipes e prevenir novas ocorrências.

Entre as medidas adotadas estão a entrega de 20 novas viaturas, incluindo 17 picapes equipadas com kits de combate a incêndio, além de 453 equipamentos multimissão.

O governo também informou que as atividades de educação ambiental realizadas entre junho e agosto alcançaram mais de 43 mil pessoas.

As ações incluem orientações sobre os riscos das queimadas, prevenção de incêndios e consequências ambientais do uso irregular do fogo.

Operação Tamoiotatá soma R$ 235,9 milhões em multas ambientais

Outra frente de atuação é a Operação Tamoiotatá, iniciada em 23 de fevereiro de 2026, com atividades de fiscalização e combate a infrações ambientais em 13 municípios.

A operação reúne equipes do Corpo de Bombeiros, responsáveis pelo enfrentamento direto aos incêndios, e do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), encarregado da fiscalização ambiental.

De acordo com o balanço divulgado pelo governo, a operação contabiliza:

  • R$ 235,9 milhões em multas aplicadas;
  • 504 autos de infração;
  • 296 termos de embargo;
  • Mais de 34,8 mil hectares embargados;
  • Duas prisões realizadas.

Ao longo das dez fases contabilizadas no levantamento, 412 servidores participaram das atividades.

As penalidades são aplicadas conforme as irregularidades identificadas durante as fiscalizações e os procedimentos previstos na legislação ambiental.

Fiscalização utiliza drones e imagens de satélite

A Operação Alerta Fogo, coordenada pelo Ipaam, também integra as medidas adotadas para combater o uso irregular do fogo.

As equipes atuam em municípios da Região Metropolitana de Manaus e em outras localidades do Amazonas, utilizando recursos tecnológicos para localizar focos de calor e identificar possíveis infrações.

Entre os equipamentos empregados estão drones, sistemas de monitoramento ambiental, imagens de satélite e viaturas com conexão à internet via Starlink.

Os dados coletados ajudam a direcionar as fiscalizações e identificar áreas onde há suspeitas de queimadas ilegais.

O Governo do Amazonas informou que manterá a articulação entre órgãos estaduais, federais e municipais para enfrentar os incêndios e acompanhar os efeitos da fumaça sobre a população.

A possibilidade de cooperação com o Pará deverá ser discutida entre os governos estaduais, diante da identificação de focos de incêndio que, segundo o Corpo de Bombeiros, contribuem para a fumaça que chega à capital amazonense.