Fumaça das queimadas ameaça saúde de cães e gatos em Manaus; saiba como proteger os pets

Monitoramento registrou concentração de partículas finas de 490,1 µg/m³ na capital amazonense; poluição pode provocar problemas respiratórios e agravar doenças em animais domésticos

A fumaça provocada pelas queimadas no Amazonas representa riscos não apenas à saúde humana, mas também à dos animais de estimação. Cães, gatos, aves e outros pets podem desenvolver irritações nos olhos, dificuldades respiratórias e complicações de saúde devido à exposição prolongada aos poluentes presentes no ar.

Em Manaus, a situação ganhou destaque após um ponto de monitoramento do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), registrar uma concentração de 490,1 microgramas por metro cúbico (µg/m³) de partículas finas na madrugada de 8 de outubro. O resultado foi apontado como o pior índice de qualidade do ar registrado na capital amazonense em 2026 até aquela data.

A fumaça pode se espalhar por diferentes regiões da cidade, atingindo inclusive bairros distantes dos focos de incêndio e aumentando a exposição de pessoas e animais à poluição atmosférica.

Poluição pode causar problemas respiratórios nos animais

As partículas finas presentes na fumaça, especialmente as classificadas como PM2,5, possuem dimensões microscópicas e conseguem penetrar profundamente no sistema respiratório.

Nos animais domésticos, a exposição pode provocar lacrimejamento, espirros frequentes, secreção nasal, tosse, irritação ocular, cansaço e dificuldades para respirar.

Dependendo da intensidade e do tempo de exposição, a poluição também pode agravar doenças cardíacas e respiratórias já existentes.

Filhotes, animais idosos e pets com problemas de saúde preexistentes estão entre os grupos mais vulneráveis. Cães braquicefálicos, conhecidos pelo focinho curto, também exigem cuidados especiais devido às características de suas vias respiratórias.

Saiba como proteger cães, gatos e outros pets durante as queimadas

Durante períodos de fumaça intensa, especialistas recomendam reduzir ao máximo a exposição dos animais ao ar contaminado.

A principal orientação é manter os pets em ambientes internos, protegidos e com temperatura adequada. Portas e janelas podem permanecer fechadas para diminuir a entrada de fumaça, desde que o ambiente continue ventilado ou climatizado de forma segura e não haja risco de superaquecimento.

O uso de aparelhos de ar-condicionado e purificadores com filtros apropriados também pode contribuir para melhorar as condições do ar dentro das residências.

Passeios e atividades físicas ao ar livre devem ser reduzidos nos dias em que a qualidade do ar estiver comprometida. Para cães, a recomendação é realizar saídas rápidas, limitadas às necessidades fisiológicas.

Outra medida importante é manter água limpa e fresca disponível durante todo o dia, garantindo a hidratação dos animais.

Dentro de casa, também é necessário evitar fontes adicionais de poluição, como cigarros, incensos, velas e a queima de materiais.

Aves e animais mantidos em gaiolas ou recintos externos precisam de atenção especial, pois também podem sofrer os efeitos da fumaça.

Sintomas que exigem atendimento veterinário

Os tutores devem observar possíveis alterações no comportamento e na respiração dos animais durante os períodos de maior concentração de fumaça.

Tosse persistente, chiado ao respirar, irritação intensa nos olhos, fraqueza e mudanças no padrão respiratório são sinais que exigem avaliação veterinária.

Situações mais graves, como dificuldade intensa para respirar, desmaios, fraqueza acentuada e mucosas azuladas ou acinzentadas, devem ser tratadas como emergências.

No caso dos gatos, a respiração pela boca aberta também pode indicar um problema respiratório grave e exige atendimento imediato.

Caso o animal apresente sintomas após exposição intensa à fumaça, a orientação é levá-lo para um ambiente com ar mais limpo e procurar assistência veterinária.

Especialistas também alertam que máscaras destinadas a seres humanos não devem ser colocadas nos pets e que medicamentos não podem ser administrados sem orientação profissional.

Monitoramento da qualidade do ar ajuda a prevenir riscos

O registro de elevada concentração de partículas finas em Manaus reforça a necessidade de acompanhar os indicadores de qualidade do ar durante o período de queimadas.

Como as condições atmosféricas podem mudar rapidamente, os tutores devem adaptar a rotina dos animais conforme os alertas ambientais e evitar atividades externas quando houver concentração elevada de poluentes.

A adoção de medidas preventivas, associada à identificação precoce de sintomas respiratórios, pode reduzir os riscos à saúde dos animais domésticos durante os episódios de fumaça na capital amazonense.