Boletim da Defesa Civil aponta 129.786 famílias afetadas pela seca, enquanto Barreirinha e Parintins registram qualidade do ar péssima devido aos impactos das queimadas
Amazonas – A estiagem de 2026 já afeta 129.786 famílias no Amazonas e mantém 47 municípios em situação de emergência. Os números foram divulgados nesta terça-feira (3) pelo Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais do Governo do Estado, com base no monitoramento realizado pela Defesa Civil.
Além dos impactos provocados pela redução dos níveis dos rios, o boletim apresenta informações sobre a qualidade do ar, os incêndios florestais e as medidas de assistência humanitária destinadas às populações atingidas.
Segundo o levantamento, outros 15 municípios permanecem em estado de alerta, totalizando 62 cidades amazonenses sob acompanhamento dos órgãos estaduais.
Confira os municípios em situação de emergência
Os 47 municípios classificados em situação de emergência são Alvarães, Amaturá, Anamã, Anori, Apuí, Atalaia do Norte, Autazes, Barreirinha, Benjamin Constant, Boca do Acre, Borba, Boa Vista do Ramos, Caapiranga, Carauari, Careiro, Careiro da Várzea, Coari, Eirunepé, Envira, Humaitá, Ipixuna, Itamarati, Japurá, Juruá, Jutaí, Lábrea, Manacapuru, Manaquiri, Manicoré, Maraã, Maués, Nhamundá, Nova Olinda do Norte, Novo Airão, Novo Aripuanã, Parintins, Pauini, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Silves, Tapauá, Tefé, Tonantins, Uarini e Urucurituba.
Já os municípios de Barcelos, Beruri, Canutama, Codajás, Fonte Boa, Guajará, Iranduba, Itacoatiara, Itapiranga, Manaus, Santa Isabel do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira, São Sebastião do Uatumã, Tabatinga e Urucará estão classificados em situação de alerta.
Queimadas deixam qualidade do ar péssima em duas cidades
A Defesa Civil também informou que o Centro de Monitoramento e Alertas (CEMOA) emitiu novos avisos sobre a qualidade do ar na manhã de terça-feira (3), com validade até a manhã desta quarta-feira (4).
Os alertas consideram os impactos dos incêndios florestais sobre a concentração de partículas finas de poluição atmosférica, conhecidas como MP2,5, que podem atingir o sistema respiratório.
Conforme as médias de 24 horas registradas pela rede PurpleAir, Barreirinha e Parintins apresentaram qualidade do ar classificada como péssima, o nível mais grave identificado no levantamento.
Outros seis municípios registraram condições consideradas muito ruins: Boca do Acre, Iranduba, Itapiranga, Maués, São Sebastião do Uatumã e Silves.
Na classificação ruim aparecem Autazes, Boa Vista do Ramos, Careiro da Várzea, Itacoatiara, Manaus, Nova Olinda do Norte e Novo Aripuanã.
Já Alvarães, Barcelos, Borba, Carauari, Careiro, Coari, Humaitá, Japurá, Manaquiri, Manicoré, Novo Airão, Pauini, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Tapauá, Tefé e Urucurituba apresentaram qualidade do ar moderada.
Governo distribui alimentos e água para municípios atingidos
Como parte das medidas de assistência às famílias afetadas, o Governo do Amazonas mantém a Operação Estiagem 2026, responsável pelo envio de alimentos, materiais de limpeza e equipamentos para armazenamento e tratamento de água.
No dia 27 de outubro, os municípios de Anamã e Rio Preto da Eva receberam mais de 13 toneladas de alimentos. As entregas incluíram 670 cestas básicas, 400 kits de limpeza e 200 caixas d’água com capacidade de 500 litros.
Com essa distribuição, a primeira etapa da operação passou a atender 15 municípios, alcançando um total de 4.800 cestas básicas, correspondentes a aproximadamente 96 toneladas de alimentos.
Também foram distribuídos 3.400 kits de limpeza, 3.060 caixas d’água de 500 litros, três reservatórios com capacidade de 5 mil litros e 18 kits purificadores de água.
Segundo o governo estadual, as entregas continuarão conforme a evolução das condições dos rios e as necessidades identificadas pelas administrações municipais.
Combate às queimadas mobiliza 1.500 profissionais e 18 aeronaves
Paralelamente às ações humanitárias, o Amazonas mantém operações de prevenção e combate aos incêndios florestais em parceria com o Governo Federal.
A estrutura mobilizada reúne aproximadamente 1.500 profissionais, entre bombeiros militares e brigadistas, além de 18 aeronaves utilizadas nas atividades de monitoramento, transporte e combate ao fogo.
Desse total, 16 aeronaves são disponibilizadas pelo Governo Federal e duas pelo Governo do Amazonas. A frota inclui oito aviões Air Tractor, dois KC-390 e oito helicópteros.
Entre as medidas anunciadas também está a contratação de 153 brigadistas florestais pelo programa Floresta em Pé, além da distribuição de viaturas, picapes equipadas para combate a incêndios e equipamentos multimissão.
Fiscalização ambiental ocorre em dezenas de municípios
As ações de fiscalização ambiental também foram intensificadas para identificar e combater o uso irregular do fogo.
A Operação Tamoiotatá desenvolve atividades em 13 municípios, enquanto a Amazonas+Verde atua no combate aos incêndios em 33 cidades do estado.
Outra frente de atuação é a Operação Alerta Fogo, que utiliza drones e viaturas equipadas com internet via Starlink para fiscalizar áreas com suspeitas de queimadas ilegais.
Durante as ações, os agentes podem aplicar multas e determinar embargos quando constatadas infrações ambientais.
O Governo do Amazonas informou que o monitoramento das condições climáticas, dos níveis dos rios e dos focos de incêndio continuará orientando as medidas de resposta à estiagem em todo o estado.
