Santiago Peña anunciou a saída do cargo nesta quinta-feira (5), após o colapso do Ueno Bank, que deixou milhões de clientes sem acesso às contas; Câmara dos Deputados aprovou impeachment minutos depois.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio a uma crise financeira e política provocada pelo colapso do Ueno Bank. A decisão foi anunciada em vídeo publicado nas redes sociais, enquanto o Congresso Nacional discutia um processo de impeachment contra o chefe do Executivo.
A renúncia ocorreu após o presidente perder apoio de integrantes do próprio Partido Colorado, que passaram a defender seu afastamento. Pouco depois do anúncio, a Câmara dos Deputados aprovou, por 78 votos a zero, o processo de impeachment. A acusação agora segue para análise do Senado paraguaio.
A crise começou após o Banco Central do Paraguai intervir no Ueno Bank, instituição financeira digital que apresentou problemas nos índices de solvência. A medida deixou aproximadamente 2,9 milhões de clientes sem acesso aos depósitos, gerando protestos e preocupação entre a população.
O banco também administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo valores ligados ao Instituto de Previdência Social (IPS), responsável pela previdência e assistência à saúde de trabalhadores paraguaios.
Ligação com o banco
Santiago Peña passou a ser alvo de questionamentos por sua relação anterior com o Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank. O presidente foi acionista do grupo até 2025, o que motivou acusações de possíveis conflitos de interesses e questionamentos sobre a destinação de recursos públicos à instituição.
As denúncias também envolveram suspeitas de irregularidades na gestão do banco e na aplicação de dinheiro de órgãos estatais. O caso levou à detenção de executivos da instituição e à ampliação das investigações.
Renúncia e sucessão
No pronunciamento, Peña afirmou que decidiu deixar a Presidência pensando na estabilidade do país, na paz social e na preservação das instituições democráticas. Ele também pediu desculpas à população e defendeu que os clientes prejudicados tenham seus depósitos devolvidos.
Com a renúncia, o vice-presidente Pedro Alliana é o sucessor constitucional e deverá assumir o comando do país para concluir o mandato, previsto para agosto de 2028, após a formalização dos procedimentos no Congresso.
A saída de Peña representa uma mudança no comando político do Paraguai em meio a uma das maiores crises institucionais recentes do país.
