Amazonas no caso Master: PF investiga R$ 50 milhões da Amazonprev e Vorcaro cita Rueda

Investigação apura aplicação de recursos da previdência do Amazonas; em proposta de delação, banqueiro afirmou que Antônio Rueda teria recebido comissões por aportes de fundos de previdência no Master

A Polícia Federal investiga a aplicação de R$ 50 milhões da Amazonprev no Banco Master, realizada em junho de 2024, e as circunstâncias que envolveram a operação. O investimento passou a ser alvo de apuração por suspeitas relacionadas aos procedimentos adotados para a aplicação dos recursos previdenciários.

A investigação ganha novas dimensões diante das revelações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Nesta sexta-feira (11), o ministro André Mendonça retirou o sigilo de parte dos procedimentos relacionados ao caso Master, tornando públicos documentos da investigação conduzida pela PF. Parte dos autos, no entanto, permanece sob sigilo.

Amazonas aparece nas declarações de Vorcaro

Em uma proposta de delação premiada que não foi homologada, Vorcaro afirmou que o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto teriam recebido 10% de comissões relacionadas a aportes de institutos de previdência no Banco Master.

Segundo o relato atribuído ao banqueiro, as articulações teriam envolvido aproximadamente R$ 2 bilhões em recursos previdenciários, incluindo operações no Amazonas. Vorcaro teria apresentado mensagens e contratos como elementos de sustentação de suas alegações.

Rueda e ACM Neto negam irregularidades, e a proposta de delação não foi homologada. Portanto, as afirmações de Vorcaro não representam, por si só, comprovação de crime ou de pagamento de comissões.

O elo político

O nome de Antônio Rueda ganha destaque no caso também pelo vínculo partidário: ele preside nacionalmente o União Brasil, mesmo partido do ex-governador Wilson Lima e do atual governador do Amazonas, Roberto Cidade.

É nesse contexto que a aplicação de R$ 50 milhões da Amazonprev no Banco Master passa a ser observada dentro de uma investigação de alcance nacional, que envolve o banco controlado por Vorcaro e relações do banqueiro com políticos e autoridades.

A PF também identificou pagamentos de aproximadamente R$ 620 mil feitos pela empresa Alfa A Consultoria e Gestão de Frota a três ex-dirigentes da Amazonprev: Claudinei Soares, Cláudio Marins de Melo e André Bentes. Os três foram alvo de medidas judiciais no âmbito da investigação.

A apuração busca esclarecer quem decidiu pela aplicação dos R$ 50 milhões, quais procedimentos foram adotados e se houve eventual irregularidade ou benefício indevido relacionado à operação.

O caso continua sob investigação. As suspeitas levantadas pela PF e as declarações atribuídas a Vorcaro ainda dependem de apuração e não representam condenação definitiva dos envolvidos.