Arthur Virgílio cobra fim da polarização e defende projeto de país para o Brasil

Ex-prefeito de Manaus e ex-senador afirma que divergências fazem parte da democracia e propõe agenda nacional voltada ao desenvolvimento, à Amazônia e às próximas gerações

O ex-prefeito de Manaus e ex-senador Arthur Virgílio Neto defende que o Brasil precisa superar a polarização política e recuperar a capacidade de dialogar, divergir e construir um projeto de futuro que esteja acima das disputas eleitorais.

Candidato a deputado federal pelo MDB no Amazonas, Arthur avalia que a divisão entre dois lados não pode continuar sendo o principal eixo da política brasileira. Para ele, a diversidade de opiniões deve ser tratada como parte da democracia, e não como motivo para transformar adversários em inimigos.

“O Brasil é um país múltiplo, um grande país cultural. Somos diferentes na maneira de pensar, de viver e de enxergar o mundo. Essa diversidade deveria nos fortalecer. O que não podemos aceitar é transformar a diferença em ódio e a política em uma guerra permanente”, afirma.

Para o ex-senador, defender posições diferentes é uma atribuição natural de quem exerce um mandato. Segundo ele, o parlamentar não deve abrir mão de suas convicções por receio de contrariar o governo ou a maioria.

“Não é errado se posicionar. Não é errado pensar diferente. O que é errado é achar que quem pensa diferente é inimigo. A democracia precisa de debate, de oposição, de governo e de gente com coragem para defender aquilo em que acredita”, afirma.

“Combater o governo não é combater o país”

A defesa do diálogo entre diferentes correntes políticas, segundo Arthur, acompanha sua trajetória pública.

Em 2003, quando era senador e fazia oposição ao governo federal, ele defendia a necessidade de separar as divergências políticas dos interesses nacionais. Na ocasião, destacou que “combater o governo não é combater o país” e defendeu o entendimento político em torno de temas estratégicos, entre eles a reforma tributária e a prorrogação dos benefícios fiscais da Zona Franca de Manaus.

Anos depois, já como prefeito de Manaus, Arthur voltou a defender um pacto nacional diante da crise econômica. Em 2016, afirmou que as convicções partidárias deveriam ficar em segundo plano quando estivesse em jogo a construção de uma agenda positiva para o país.

Na administração municipal, a mesma lógica foi aplicada às relações com os governos estadual e federal. Arthur defendia que divergências partidárias não poderiam impedir Manaus de buscar recursos, investimentos e parcerias.

“Não dá para governar Manaus sem parcerias. Não se pode jogar o partidarismo na frente do interesse da população”, afirmou durante sua gestão.

Projeto de Brasil

Para Arthur Virgílio, o principal desafio do país é deixar de concentrar o debate político apenas na próxima eleição e começar a discutir quais são os objetivos nacionais para as próximas décadas.

“Está faltando projeto de Brasil. Precisamos discutir que país queremos daqui a 10, 20, 30 anos. Um país que tenha educação de qualidade, saúde, segurança, emprego, desenvolvimento tecnológico, indústria forte, responsabilidade fiscal e, ao mesmo tempo, capacidade de preservar e transformar a Amazônia em uma grande oportunidade para o Brasil”, afirma.

Nesse cenário, o ex-senador coloca a Amazônia entre as prioridades estratégicas do país. Para ele, discutir o futuro do Brasil também significa discutir o futuro da região, da Zona Franca de Manaus e da população amazônica.

“O Brasil precisa parar de olhar para a Amazônia apenas como um problema ambiental. A Amazônia é parte da solução brasileira. Precisamos proteger a floresta, mas também gerar riqueza, emprego, conhecimento e qualidade de vida para quem vive aqui”, ressalta.

A agenda defendida por Arthur inclui educação, saúde, segurança, desenvolvimento econômico, equilíbrio das contas públicas, inovação, fortalecimento da indústria, defesa da Zona Franca de Manaus e uma nova estratégia nacional para a Amazônia.

“Eu quero acreditar em um Brasil que volte a pensar grande. O Brasil não pode ficar condenado a escolher quem é contra quem. Precisamos começar a escolher a favor de quê. A favor do desenvolvimento, da democracia, da Amazônia, da liberdade, do emprego e de um futuro melhor para nossos filhos e netos”, conclui.