O atraso no pagamento de médicos e cooperativas que prestam serviços à rede estadual de saúde do Amazonas tem gerado preocupação entre profissionais e entidades da categoria. Segundo informações divulgadas pelo JAM 2, o Governo do Estado acumula débitos desde 2024, que já ultrapassam R$ 123 milhões.
Os valores em aberto atingem especialidades essenciais para o funcionamento da rede pública. O levantamento aponta dívidas superiores a R$ 44 milhões com o IGOAM (Ginecologia e Obstetrícia), R$ 33 milhões com a COOPATI (Medicina Intensiva), R$ 21 milhões com a COOPED (Pediatria), R$ 17 milhões com a COOPANEO (Neonatologia) e mais de R$ 7 milhões com a COOAP (Pediatria).
Médicos e cooperativas afirmam que a falta de repasses compromete a manutenção de plantões, UTIs, UTINs e outros serviços especializados. Em reunião recente, o Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam) e o Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cremam) cobraram do Governo do Estado um cronograma para regularização dos pagamentos e maior transparência sobre os débitos.
No dia 29 de julho, o Conselho Federal de Medicina (CFM) reforçou a cobrança ao divulgar um vídeo nas redes sociais. O conselheiro federal Dr. Francisco Cardoso fez um apelo ao governador para que regularize os pagamentos aos profissionais, afirmando que médicos seguem trabalhando e salvando vidas, mas precisam receber pelos serviços prestados. Na mesma manifestação, o conselheiro federal Diogo Leite Sampaio informou que o CFM dará apoio institucional e jurídico aos médicos do Amazonas caso a categoria decida realizar uma paralisação, ressaltando que a greve é um direito constitucional quando observadas as normas legais e éticas.
Nota da SES-AM
Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) informou que os pagamentos referentes aos contratos de 2026 estão sendo realizados dentro do fluxo administrativo normalmente adotado para esse tipo de prestação de serviço. A pasta reconheceu, porém, que existem pendências de exercícios anteriores e informou que trabalha na elaboração de um cronograma de pagamento para regularizar os débitos.
A secretaria também afirmou que mantém diálogo permanente com os prestadores de serviço e com as entidades representativas para acompanhar a situação e buscar soluções.
