Tribunal do Júri encerrou julgamento após cinco dias; comparsa recebeu pena de 17 anos e 8 meses por participação no crime
MANAUS — O Tribunal do Júri de Manaus condenou, na madrugada desta segunda-feira (1º), Gil Romero Machado Batista a 63 anos, 7 meses e 19 dias de prisão em regime fechado pelas mortes de Débora da Silva Alves, de 18 anos, e do bebê que ela gestava. O julgamento, realizado no Fórum de Justiça Ministro Henoch Reis, durou cinco dias e colocou fim a uma das investigações criminais de maior repercussão no Amazonas nos últimos anos.
A decisão foi proferida pela 2ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus, sob a presidência do juiz Fábio Alfaia. O Conselho de Sentença acolheu integralmente as teses apresentadas pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM) contra Gil Romero, apontado como mentor e executor do crime.

Já o segundo acusado, José Nílson Azevedo da Silva, foi condenado a 17 anos e 8 meses de prisão por homicídio qualificado por motivo torpe. Os jurados afastaram as acusações mais graves relacionadas à autoria direta do assassinato e também a qualificadora de feminicídio.
Segundo a sentença, Gil Romero foi responsabilizado pelos crimes de feminicídio qualificado mediante emboscada, uso de meio cruel, morte do bebê ainda no ventre da mãe, além da ocultação e destruição do cadáver. A Justiça considerou comprovadas a materialidade e a autoria dos crimes por meio de laudos periciais, certidão de óbito, relatórios investigativos, imagens de câmeras de segurança, depoimentos de testemunhas e confissões prestadas durante as investigações.
Crime chocou o Amazonas
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o crime ocorreu na madrugada de 30 de julho de 2023, nas proximidades da Usina Termoelétrica Mauá 2, localizada no bairro Mauazinho, zona Leste de Manaus.

As investigações apontaram que Débora, que estava grávida de oito meses, foi morta por asfixia utilizando um fio elétrico. Em seguida, os acusados colocaram o corpo da jovem em um tonel e atearam fogo.
Ainda conforme a denúncia, após a saída de José Nílson do local, Gil Romero retornou e retirou o bebê do ventre da vítima. A criança foi colocada em um saco plástico e lançada em um rio.

O Ministério Público sustentou que Gil Romero mantinha um relacionamento extraconjugal com Débora e que a gravidez teria motivado o crime. A acusação apontou que o assassinato foi planejado para ocultar as consequências da relação e impedir o nascimento da criança.
Caso de grande repercussão
O assassinato de Débora Alves gerou forte comoção social e ampla repercussão em todo o estado. Desde a descoberta do crime, o caso mobilizou autoridades, familiares e a opinião pública, tornando-se um dos episódios mais marcantes da crônica policial amazonense.
Com a condenação dos acusados, o Tribunal do Júri encerra uma etapa importante do processo, embora ainda caibam recursos às instâncias superiores.
