Três dias após alegar orientação jurídica para não participar de debates ou sabatinas antes do início da campanha, governador aparece em programa de estúdio e responde sozinho a um jornalista
A justificativa jurídica apresentada para faltar ao primeiro debate ao Governo do Amazonas que aconteceu no último domingo na Band Amazonas, parece ter ganhado uma exceção conveniente.
Três dias depois de sua campanha informar oficialmente que Roberto Cidade (União Brasil) não participaria de “debates ou sabatinas” antes do início da campanha eleitoral, marcado para 16 de agosto, o governador aceitou participar de um programa em estúdio nesta quarta-feira (12). Mas com uma diferença importante: sem candidatos adversários no mesmo espaço.
No domingo (9), a coordenação da campanha foi taxativa ao anunciar que Cidade não participaria de debates ou sabatinas antes do início oficial da campanha, alegando “segurança jurídica, respeito às regras eleitorais e igualdade de condições entre todas as candidaturas”.
Agora, diante das câmeras, Cidade foi questionado sobre a ausência no debate e apresentou outra justificativa, relacionando a decisão ao encontro que teve com o presidente Lula no dia seguinte.
A entrevista também trouxe cobranças sobre temas sensíveis da gestão. Ao ser questionado sobre a convocação dos aprovados no concurso da Polícia Militar, o governador voltou a negar que fará novas convocações.
“Os que estão cobrando agora estão em cadastro reserva. Preciso ter responsabilidade”, afirmou.
Governador fugiu do debate
Enquanto Cidade escolheu responder a perguntas sozinho, no debate de domingo estavam Omar Aziz (PSD), David Almeida (Avante), Maria do Carmo (PL) e Israel Munduruku. A cadeira vazia do governador virou um dos principais assuntos da noite, com críticas dos adversários, principalmente de Omar Aziz, que cobrou explicações sobre a atual administração estadual.
Na prática, fica a pergunta: se a orientação jurídica impedia que ele participasse de debates e sabatinas antes do dia 16, por que uma entrevista em estúdio foi possível três dias depois?
