Coronel Rosses entrega dossiê ao MPAM que aponta R$ 160 milhões em contratos de empresas ligadas à família de Roberto Cidade

Documento peticionado pelo vereador Coronel Rosses (PL), pede investigação do Ministério Público do Amazonas sobre atual situação das empresas da família do governador e sobre possível favorecimento

Um dossiê protocolado no Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) coloca o Governo do Estado no centro de uma nova polêmica envolvendo contratos públicos e empresas ligadas à família do governador Roberto Cidade.

A reportagem do Planeta92 teve acesso a representação, assinada pelo vereador Coronel Rosses, que pede a abertura de um Inquérito Civil para investigar a concentração de aproximadamente R$ 159,7 milhões em contratos firmados por um grupo empresarial formado pela Navegação Cidade Ltda. e pela R R Serviços de Transporte e Navegação Ltda.

Segundo o documento, as empresas da família de Roberto Cidade expandiram sua atuação por diferentes áreas da administração estadual e passaram a concentrar contratos milionários em órgãos estratégicos do governo, como a Secretaria de Segurança Pública (SSP), Agência de Desenvolvimento Sustentável (ADS), Aadesam, Polícia Militar, Cosama e Defesa Civil.

A representação sustenta que o grupo empresarial recebeu contratos para atividades de naturezas completamente distintas, desde transporte fluvial e locação de máquinas pesadas até fornecimento de viaturas, micro-ônibus, veículos executivos e sistemas de monitoramento embarcado para a segurança pública. Para o Rosses (autor da da denúncia), essa concentração de contratos em diferentes setores levanta dúvidas sobre a observância dos princípios da impessoalidade, moralidade e legalidade previstos na Constituição.

SSP concentra quase R$ 95 milhões

O maior volume de recursos apontado no dossiê apresentado do MPAM está na Secretaria de Segurança Pública, onde os contratos chegam a R$ 94,8 milhões, incluindo locação de viaturas, SUVs e minivans.

Também são relacionados contratos de R$ 34,7 milhões na ADS, R$ 20,7 milhões na Aadesam, R$ 5,2 milhões na Polícia Militar, além de contratos com Cosama, Defesa Civil, Sepror, UGP-Padeam, Seas/Feas e Seap.

Ao todo, o documento aponta quase R$ 160 milhões distribuídos entre diversas secretarias e órgãos estaduais.

O “Mês de Ouro”

Um dos pontos centrais da representação é a concentração temporal das contratações. O documento destaca que, em março de 2025, o Centro de Serviços Compartilhados (CSC) homologou uma Ata de Registro de Preços que previa até R$ 61 milhões para locação de viaturas pela Navegação Cidade.

Já em junho de 2025, período denominado pelo autor como “Mês de Ouro”, uma sequência de contratos milionários foi celebrada em apenas 12 dias. Entre eles, um contrato de R$ 6,6 milhões para locação de SUVs e outro de R$ 21,1 milhões para fornecimento de minivans equipadas com monitoramento embarcado. Paralelamente, a Polícia Militar homologou contratos para locação de micro-ônibus com a R R Serviços.

Segundo a representação, a sucessão de contratos reforça a necessidade de uma apuração detalhada sobre a forma como ocorreram as contratações.

Suspensão de contratos anunciada, mas sem comprovação

Outro ponto levantado pelo documento envolve o anúncio feito por Roberto Cidade quando assumiu interinamente o Governo do Amazonas, em abril de 2026.

Na ocasião, o governador afirmou que determinaria a suspensão mediata e o cancelamento de contratos mantidos com empresas vinculadas à sua família para “evitar conflitos de interesse”.

No entanto, a representação encaminhada ao MPAM afirma que, após análise dos registros públicos, não foram localizados atos administrativos que comprovassem a efetiva rescisão (distratos) dos contratos, nem a relação completa dos instrumentos cancelados ou a realização de novos processos licitatórios para substituí-los.

Diante disso, o vereador Coronel Rosses pede que o Ministério Público esclareça se a medida anunciada foi efetivamente executada ou permaneceu apenas no discurso.

O que o MPAM deverá analisar

A representação solicita ao Ministério Público do Amazonas, a instauração de Inquérito Civil para investigar a atuação do grupo empresarial da família de Roberto Cidade, requisitar todos os processos licitatórios, contratos e aditivos firmados pelos órgãos estaduais, verificar eventual formação de grupo econômico entre as empresas e realizar auditoria técnico-contábil para identificar possíveis casos de sobrepreço, superfaturamento ou dano ao erário.

O documento também pede que seja esclarecida oficialmente a situação dos contratos que Roberto Cidade afirmou ter suspendido quando assumiu o comando do Executivo estadual.