Relato aponta suposta interferência para liberar consultas, exames e procedimentos de pacientes ligados ao Governo enquanto usuários aguardam meses ou até anos na fila
Uma servidora da rede estadual de Saúde do Amazonas denunciou uma suposta pressão para passar pacientes na frente da fila do Sisreg, sistema usado para regular consultas, exames e procedimentos. Segundo o relato, pedidos para priorizar determinados pacientes chegariam por telefone e WhatsApp e seriam apresentados como demandas da Casa Civil, da primeira-dama Thaísa Cidade e do próprio governador Roberto Cidade.
A servidora afirma que a pressão teria aumentado a partir de julho, durante o período eleitoral. Em um dos relatos, ela afirma que pacientes que estavam no fim da fila seriam autorizados rapidamente por serem considerados “demandas do governador, da sede e da primeira-dama”. “Eles iriam pro rabo da fila. São autorizados agora porque são demandas do governador, da sede, da primeira-dama e nós temos que atender”, declarou.
A denúncia também aponta supostas ameaças de exoneração, punição ou transferência contra servidores que se recusassem a cumprir as determinações. Como parte do material, foram apresentados prints de WhatsApp, documentos e planilhas que, segundo a servidora, registrariam solicitações identificadas como “DAMA-CASA CIVIL”, “SOL DAMA” e “AUTORIZADOS CASA CIVIL DIA 21/09/2026”.
Ainda segundo o relato, alguns pacientes teriam conseguido autorização em poucos dias, enquanto outros permanecem meses ou até anos aguardando atendimento, inclusive pessoas que precisam de serviços relacionados ao Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O material foi encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF) para apuração. Até o momento, trata-se de uma denúncia baseada no relato da servidora e nos documentos apresentados por ela. Cabe às autoridades investigar a autenticidade do material e verificar se houve, de fato, interferência na fila de regulação da Saúde estadual.







