”Eu não sei!” Pressionado, governador Roberto Cidade não explica contrato da família que continua ativo no governo

O governador tampão do Amazonas e candidato à reeleição, Roberto Cidade (União Brasil), passou por momentos de tensão durante entrevista concedida à jornalista Lane Gusmão, da Rede Amazônica, nesta quarta-feira (16). Questionado sobre contratos de empresas ligadas da sua família e sobre as investigações da Polícia Federal envolvendo a Aadesam, Cidade teve dificuldade para apresentar respostas objetivas em alguns dos momentos mais delicados da entrevista.

Um dos principais pontos de pressão foi justamente a situação dos contratos envolvendo familiares.

Cidade afirmou que, assim que assumiu o Governo do Amazonas, determinou que todos os contratos de empresas ligadas à sua família fossem encerrados, classificando esse tipo de vínculo como “imoral” para quem ocupa o cargo de governador.

No entanto, quando a jornalista Lane Gusmão perguntou sobre um contrato da família do governador com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), que continua ativo e recebeu um aditivo recente, a resposta mudou de tom. Cidade afirmou que não sabia dos detalhes do documento e que precisaria verificar o que havia acontecido.

O contrato da empresa dos irmãos do governador com a UEA continua vigente e teve o valor global elevado para quase R$ 8 milhões após um novo termo aditivo.

Foi nesse momento que a entrevista ficou mais tensa. A jornalista insistiu em respostas mais diretas, enquanto Cidade repetiu que precisaria “olhar com carinho” a situação e voltou a defender sua decisão de determinar o encerramento dos contratos familiares.

De um lado, o governador afirma que mandou acabar com os vínculos das empresas da sua família com o estado. De outro, um contrato ligado à própria família permaneceu ativo e ainda recebeu recentemente um novo aditivo.

Investigação da Polícia Federal na AADESAM

Outro assunto que provocou pressão foi a Aadesam, que está no centro de questionamentos e apurações sobre possíveis irregularidades, inclusive por parte da Polícia Federal, que investiga o suposto uso da máquina pública do Estado nas ações de bandeiraço do governador, candidato à reeleição.

Ao ser questionado, Cidade afirmou que o governo está à disposição para prestar esclarecimentos, reforçou que é “ficha limpa” e classificou parte das denúncias como uma “narrativa política”.

Durante a entrevista, Roberto Cidade também recorreu à defesa de sua trajetória política e, em alguns momentos, falou ao mesmo tempo que a jornalista. A dinâmica acabou deixando evidente a dificuldade que Cidade tem em responder de forma mais clara e direta quando questionado sobre assuntos sensíveis da sua atual gestão.

No fim, ao ser novamente questionado sobre os negócios da família, Cidade afirmou que as empresas atuam no interior do Amazonas há décadas e que os negócios são anteriores à sua entrada na política.

A entrevista deixou duas perguntas no ar: se a determinação era encerrar os contratos com empresas de familiares, por que o governador não divulgou os distratos desses contratos das empresas da sua família com o governo? E mais: Por que houve um aditivo recente da empresa da sua família do governador durante a sua atual gestão?