Governo-tampão tem cinco chapas registradas, mas enfrenta crise interna e risco de impugnações

Disputas dentro de partidos colocam em xeque três candidaturas e podem reduzir cenário eleitoral na Aleam

A Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) encerrou, na quinta-feira (16/04), o prazo para registro das candidaturas ao chamado mandato-tampão do Governo do Estado, com cinco chapas oficialmente inscritas. Apesar disso, o processo já nasce sob forte instabilidade política, marcada por conflitos internos e rejeição pública de candidaturas dentro dos próprios partidos.

A eleição indireta, que definirá o governador e vice até o fim do mandato, está marcada para o dia 4 de maio e será decidida pelos 24 deputados estaduais.

Crise interna e “fogo amigo”

Mesmo com os registros formalizados, três chapas enfrentam resistência direta de suas próprias legendas: PT, Novo e a coligação PSDB/PL. As direções estaduais alegam que as candidaturas foram lançadas sem autorização das executivas partidárias, o que pode resultar em pedidos de impugnação.

O cenário expõe um racha interno e levanta dúvidas sobre a validade jurídica dessas candidaturas.

Veja como está o cenário das chapas

Roberto Cidade (União Brasil) e Serafim Corrêa (PSB)
Considerada a chapa mais robusta politicamente, reúne o atual governador interino e o ex-prefeito de Manaus. É a única candidatura com respaldo consolidado das siglas envolvidas.

Cícero Alencar e Roque Lane (DC)
A chapa “puro-sangue” do Democracia Cristã é liderada pelo presidente estadual do partido. Cícero classificou a candidatura como um “ato de revolta” diante das renúncias que abriram caminho para a eleição indireta. Ele também declarou alinhamento político ao prefeito de Manaus, indicando apoio futuro.

Daniel Fabiano Soares e Dayane de Jesus (PT)
Registrada nos momentos finais do prazo, a chapa enfrenta rejeição do comando estadual do partido. A direção afirma que não houve deliberação interna, o que inviabiliza o reconhecimento da candidatura.

Sérgio Augusto Bezerra e Audriclea Viana Frota (Novo)
Também sem respaldo partidário, a chapa foi oficialmente desautorizada pela executiva estadual, que declarou não reconhecer qualquer candidatura da sigla na eleição indireta.

William Bittar (PSDB) e João Ricardo (PL)
A candidatura enfrenta resistência pública dentro do PSDB. Lideranças da sigla no Amazonas negaram apoio e afirmaram que não houve qualquer articulação interna para validação da chapa.

Impasse jurídico e risco de indeferimento

A crise interna coloca a Aleam em uma posição delicada diante da análise das candidaturas. Especialistas em Direito Eleitoral apontam que o vínculo com partidos políticos é indispensável, já que o modelo constitucional brasileiro não permite candidaturas independentes.

Na prática, embora o edital permita o registro direto das chapas, a palavra final continua sendo das legendas. Caso haja mais de uma candidatura vinculada ao mesmo partido, caberá à sigla indicar qual representa oficialmente seus interesses — o que pode levar ao indeferimento das demais.

Cenário pode favorecer candidatura única

Diante das contestações, cresce a possibilidade de redução drástica no número de candidaturas aptas a disputar a eleição. Avaliações jurídicas indicam que as chapas sem respaldo partidário enfrentam um obstáculo difícil de superar.

Com isso, o cenário pode caminhar para uma eleição com menor competitividade, concentrando forças em candidaturas com base política consolidada dentro da Assembleia.

A decisão final sobre a validade das chapas deve ser tomada nos próximos dias, após análise da Mesa Diretora da Aleam.