O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) passou a acompanhar oficialmente o caso envolvendo o jornalista Marcelo Rocha, colaborador da Mídia Ninja, que denunciou ter sido vítima de agressão física, injúria racial e abordagem policial irregular durante a cobertura do 59º Festival Folclórico de Parintins.
A manifestação do órgão ministerial representa um novo desdobramento da ocorrência registrada na madrugada do dia 29 de junho, nas dependências do Bumbódromo, durante a terceira noite do festival.
MP determina complementação das investigações
Em manifestação assinada pelo promotor de Justiça Ricardo Mitoso Nogueira Borges, nos autos do processo nº 0005515-38.2026.8.04.6300, o MPAM devolveu o procedimento à Delegacia Interativa de Polícia de Parintins para a realização de novas diligências consideradas essenciais para o esclarecimento dos fatos.
Segundo o documento, a ocorrência foi inicialmente registrada como “vias de fato”, porém a investigação ainda carece da identificação e oitiva de testemunhas que estavam presentes no momento da confusão, registrada por volta das 0h22 do dia 29 de junho, na área localizada entre o fosso da imprensa e o espaço reservado às Pessoas com Deficiência (PCDs).
O Ministério Público concedeu prazo de 30 dias para que a autoridade policial realize novas diligências, entre elas:
Solicitar à Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa e à Secretaria de Estado de Comunicação Social a relação dos profissionais de imprensa credenciados que atuavam no local.
Requisitar à Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (SEJUSC) a lista das pessoas credenciadas para utilização do espaço destinado às PCDs na data do ocorrido.
Identificar e ouvir todas as testemunhas que presenciaram os fatos para esclarecer a dinâmica da ocorrência e a atuação dos envolvidos.
Documentos apontam ausência de cadastro como PCD
Outro elemento apresentado pelo jornalista durante a apuração indica que a mulher apontada como autora da agressão, identificada como Maria Rita Costa de Souza, não consta nos cadastros oficiais de Pessoas com Deficiência do Estado do Amazonas.
De acordo com documentos obtidos por Marcelo Rocha, a mulher teria acessado a área reservada utilizando a credencial vinculada ao nome do próprio filho, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A informação deverá ser analisada pelas autoridades durante a investigação.
Jornalista relata agressão e injúria racial
Segundo o relato de Marcelo Rocha, ele realizava a cobertura jornalística do festival quando foi agredido com um tapa no rosto enquanto registrava imagens do espetáculo.
O jornalista afirma ainda que, durante o episódio, foi chamado de “negrinho”, expressão que, segundo ele, caracteriza injúria racial.
Após a confusão, Marcelo Rocha relata que foi retirado do local por agentes de segurança e conduzido à delegacia instalada no Bumbódromo, onde teria sido inicialmente tratado como autor da ocorrência, e não como vítima.
Investigação continua
Com a intervenção do Ministério Público, o caso passa a ter novas diligências para esclarecer a dinâmica dos fatos, identificar testemunhas e verificar a existência de eventuais crimes, incluindo agressão física, injúria racial e possíveis irregularidades relacionadas ao acesso ao espaço reservado às Pessoas com Deficiência.
Em declaração após a manifestação do MPAM, Marcelo Rocha afirmou esperar que a investigação seja conduzida de forma imparcial.
“Fico feliz que o MPAM tenha entrado no caso. Espero que a Justiça seja cumprida e que tudo seja investigado como deve.”
