Oficina que venderia colchões por R$ 160 milhões já recebeu emenda de Roberto Cidade

Documentos do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (IDAM) mostram que a R M Comércio de Peças Automotivas, empresa que posteriormente apareceu em uma ata de até R$ 160,8 milhões para fornecimento de colchões e travesseiros ao Governo do Amazonas, já havia recebido um contrato de R$ 1,37 milhão viabilizado por uma emenda parlamentar de Roberto Cidade, quando ele ainda era deputado estadual.

A informação foi divulgada pelo senador Omar Aziz, com base em documentos oficiais do IDAM. Segundo os registros, a empresa, de CNPJ 10.466.439/0001-68, foi contratada em 2025 por meio da Emenda Parlamentar Impositiva de Bancada nº 184/2025, de autoria de Roberto Maia Cidade Filho.

O contrato, de nº 19/2025, teve valor de R$ 1.374.640 e previa a compra de seis microtratores, 30 motocultivadores e dois triciclos. Os equipamentos seriam destinados aos municípios de Autazes, Borba, Carauari, Caapiranga, Lábrea, Manicoré e Urucará.

O próprio atestado de capacidade técnica emitido pelo IDAM informa que a contratação foi realizada para atender à emenda de Roberto Cidade. O parecer jurídico do instituto também identifica a R M Comércio de Peças Automotivas como empresa contratada e registra o valor de R$ 1.374.640.

Durante a denúncia, Omar Aziz questionou a capacidade da empresa para fornecer equipamentos agrícolas. “Uma oficina que troca óleo, que troca pneu, não vende motor, não vende trator, não vende implementos agrícolas. Se defende disso agora”, afirmou.

Segundo o senador, os documentos mostram que a relação da empresa com recursos destinados por Roberto Cidade começou antes de ele assumir o Governo do Amazonas.

Empresa aparece novamente em contrato milionário

Meses depois, já durante a gestão de Roberto Cidade no Governo do Amazonas, a mesma R M Comércio de Peças Automotivas apareceu como fornecedora de até 301.180 kits dormitório, compostos por colchões e travesseiros.

A Ata de Registro de Preços nº 0280/2026-1 estabelecia o valor de R$ 534 por kit e poderia alcançar R$ 160,8 milhões.

Após a denúncia, Roberto Cidade determinou o cancelamento da ata dos colchões e de outra, no valor de R$ 23,4 milhões, destinada à eventual compra de redes de dormir. Somados, os dois contratos chegavam a R$ 184,2 milhões.

Omar Aziz afirmou que pretende encaminhar o caso ao Ministério Público do Amazonas, Ministério Público Federal, Polícia Federal e Tribunal de Contas do Estado.