Instalação de inquérito conta agora com a assinatura de três vereadores
O apoio à abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) ganhou reforço com o anúncio da assinatura, na manhã desta terça-feira (2), do vereador Bessa (Solidariedade). A iniciativa também conta agora com o apoio formal dos vereadores Rodrigo Guedes (Podemos), autor da proposta, e Capitão Carpê (Republicanos).
A instalação do inquérito é defendida pelos professores da rede municipal, que exigem esclarecimentos sobre a utilização dos recursos do fundo. No final do ano passado, o prefeito David Almeida (Avante) anunciou que o benefício não seria pago por conta da falta de recursos do governo federal.
Durante pronunciamento na abertura dos trabalhos da Câmara Municipal de Manaus (CMM), Bessa manifestou apoio aos professores da rede municipal que realizaram um protesto ontem (1°), na frente da Casa Legislativa. A categoria exige aumento real de salário e pagamento integral da reposição da inflação já a partir de abril. Além da CPI do Fundeb, eles pedem audiência pública para debater melhorias na ManausMed, o plano de saúde dos servidores municipais, e reformas das salas de aula.
Bessa exibiu um vídeo no telão do plenário gravado durante reunião do prefeito e da secretária municipal de educação, Dulce Almeida, com servidores da rede municipal. O trecho flagra o instante em que o prefeito, durante um bate-boca, xinga um senhor de “um dos piores professores do mundo”.
“Não pagou o Fundeb, e agora quer dar um reajuste de 1,25% aos professores. São fatos. A postura da prefeitura de Manaus com os professores é essa. Ou isso é fake news? Inteligência artificial?”, ironizou Bessa, referindo-se ao vídeo.
O parlamentar manifestou repúdio à declaração do líder do prefeito na CMM, Eduardo Alfaia (PMN). Em pronunciamento na tribuna na segunda-feira (1°), ele afirmou que o sindicato dos professores deveria assinar um documento abrindo mão da recomposição salarial por rejeitar o aumento de 1,25%.
Indignação e falta de planejamento
Outros vereadores também mostraram indignação com o tratamento da Prefeitura de Manaus em relação aos trabalhadores da educação.
“Não pagaram por gestão. Gastaram a mais. A prefeitura recebeu um valor menor no ano retrasado e o Fundeb foi pago. Isso é o retrato da desvalorização. Não colocaram os professores como prioridade”, destacou Lissandro Breval (Avante). “Precisamos de planejamento estratégico, não de festinha para o professor. (A prefeitura) virou um jogo de egos, ocupada por pessoas que não sabem que estão lá, por questões familiares”.
“Presenciei, com muita gravidade, a declaração do líder do prefeito, que afirmou que os professores não são obrigados a aceitar o reajuste”, disse Rodrigo Guedes (Podemos). “Ontem, a secretária Dulce Almeida publicou um vídeo nas redes sociais anunciado que vão mandar outro projeto. Um vídeo, no entanto, não aprova um projeto de lei. Precisamos de um PL que contemple a inflação e uma reposição real do salário dos professores”, relatou.
Fonte: Radar Amazônico
