Darlan Taveira é mais um prefeito do União Brasil a declarar apoio a adversários do próprio partido; movimento expõe dificuldade de Roberto Cidade em unificar a legenda em torno de sua candidatura ao Governo do Amazonas
O racha dentro do União Brasil no Amazonas ganhou mais um capítulo. O prefeito de Barreirinha, Darlan Taveira, integrante do partido do governador Roberto Cidade, declarou apoio a Omar Aziz (PSD) para o Governo do Amazonas e a Eduardo Braga (MDB) para o Senado.
“Barreirinha é 100% Omar e Eduardo”, afirmou Taveira, deixando claro que, no município, o palanque não seguirá a orientação oficial do partido, que tem Roberto Cidade como candidato à reeleição.
A declaração reforça um movimento que vem se repetindo no interior do Estado: prefeitos e lideranças eleitos pelo União Brasil se uniram à candidatura de Omar Aziz, mesmo com a legenda tendo candidato próprio ao Governo. O fenômeno expõe uma divisão que vai além das disputas internas e começa a atingir diretamente a estratégia eleitoral de Roberto Cidade.
Na prática, o governador enfrenta uma situação politicamente desconfortável: prefeitos do seu próprio partido estão ajudando a construir palanques para seu principal adversário na disputa pelo Governo.
O movimento também evidencia a força das alianças municipais na eleição estadual. Longe das decisões tomadas pelas cúpulas partidárias em Manaus, prefeitos seguem priorizando acordos políticos, relações construídas nos municípios e interesses locais — e, em alguns casos, essas escolhas colocam essas lideranças em um palanque completamente diferente daquele defendido pelo próprio partido.
Para Omar Aziz, essas adesões representam um reforço importante na estratégia de interiorização de sua campanha e amplia a rede de apoio político em municípios onde a influência dos prefeitos pode ser decisiva.
Para Roberto Cidade, porém, o cenário representa um desafio maior do que uma simples divergência partidária.
Se o União Brasil não conseguir transformar sua estrutura partidária em apoio efetivo nos municípios, o governador corre o risco de ter a legenda ao seu lado no papel, mas prefeitos e lideranças locais trabalhando para seus adversários nas urnas.
