Valores reconhecidos e em análise chegam a R$ 3,28 milhões; ao assumir o governo em abril, Roberto Cidade anunciou que suspenderia e cancelaria contratos do Estado com empresas de seus familiares
O Governo do Amazonas, comandado pelo governador tampão Roberto Cidade (União Progressista), autorizou o pagamento de uma dívida de R$ 1,55 milhão com a Navegação Cidade Ltda., empresa ligada à família do governador. Agora, o Estado também analisa uma segunda cobrança, de R$ 1,73 milhão, feita pela mesma empresa. Somados, os valores chegam a R$ 3,28 milhões.
A primeira dívida, de R$ 1.553.479,72, foi reconhecida oficialmente pelo governo em portaria publicada no dia 27 de agosto de 2026. O valor é referente a serviços de transporte escolar prestados sem contrato regular.
A própria portaria determina a apuração de responsabilidades pela realização dos serviços sem cobertura contratual. Mesmo assim, o Estado reconheceu a dívida e autorizou o pagamento à empresa.
Mais R$ 1,7 milhão está sendo analisado
Além da dívida já reconhecida e com pagamento autorizado, o Governo do Amazonas abriu um novo processo para analisar outra cobrança, no valor de R$ 1.736.242,04.
O valor é referente ao transporte escolar de alunos da rede estadual na Calha do Solimões, durante 19 dias letivos de junho de 2023. Nesse caso, o pagamento ainda não foi autorizado.
Empresa é ligada à família do governador tampão Roberto Cidade
A Navegação Cidade Ltda. é de propriedade dos irmãos de Roberto Cidade. Os serviços que deram origem às duas cobranças foram realizados em 2023, durante o governo de Wilson Lima, quando Cidade era deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa, antes de assumir o comando do Estado.
O que chama atenção é que a atual gestão de Roberto Cidade está reconhecendo uma dívida e analisando outra, ambas em favor de uma empresa ligada à família do governador.
Quando assumiu o governo, Cidade afirmou que havia determinado a suspensão e o cancelamento de contratos do Estado com empresas de seus parentes, justamente para evitar possíveis conflitos de interesse.
Agora, a administração comandada por ele conduz processos que podem resultar no pagamento de R$ 3,28 milhões a uma empresa ligada a pessoas de sua família.
O caso levanta questionamentos sobre a realização de serviços sem contrato, quem autorizou as atividades e por que as responsabilidades ainda precisam ser apuradas.
Até o momento, uma dívida foi reconhecida e teve o pagamento autorizado, enquanto a outra continua em análise.
