Em meio à cobrança de profissionais da saúde, governador destaca repasses realizados nos primeiros meses de gestão e aponta que dívida não foi criada recentemente.
O governador do Amazonas, Roberto Cidade (UB), voltou a tratar nesta segunda-feira (22) da situação dos pagamentos em atraso na rede estadual de saúde. Ao completar 70 dias à frente do Governo do Estado, o chefe do Executivo destacou medidas adotadas para regularizar os repasses ao setor, mas ressaltou que o problema é resultado de débitos acumulados ao longo dos últimos anos.
Durante entrevista, Cidade afirmou que sua gestão já destinou mais de R$ 100 milhões para quitar parte das pendências financeiras envolvendo médicos, enfermeiros e outros profissionais que atuam na rede estadual.
“Nesses 70 dias, eu já paguei mais de R$ 100 milhões para os médicos e também para os outros trabalhadores da saúde”, declarou.
Apesar dos pagamentos realizados, entidades representativas da categoria continuam cobrando a regularização de valores pendentes e relatam dificuldades enfrentadas por profissionais que aguardam o recebimento de atrasados, que em alguns casos chegam até a seis meses sem receber seus salários.
Débitos antigos entram no debate
Ao comentar a situação financeira da área da saúde, Roberto Cidade afirmou que parte significativa das pendências é anterior ao início de sua gestão e que a solução do problema exige tempo e reorganização das contas públicas.
“Mas, naturalmente, tem outros débitos que já se arrastam há muitos anos. “Eu estou há 70 dias à frente do Governo do Estado”, afirmou.
Embora tenha evitado citar diretamente o ex-governador Wilson Lima, a declaração foi interpretada nos bastidores como uma sinalização de que a atual administração atribui às gestões anteriores a origem da crise financeira enfrentada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM).
A fala também evidencia o esforço do novo governo em dissociar os atrasos atuais de sua gestão, reforçando o discurso de que os problemas enfrentados pelos profissionais da saúde são consequência de um passivo acumulado ao longo dos últimos anos.
Enquanto isso, trabalhadores do setor seguem pressionando o governo por um calendário definitivo para a quitação dos débitos ainda em aberto.
