Sob forte pressão política, Roberto Cidade revoga decreto de R$ 100 milhões da UEA

A decisão ocorreu após críticas públicas dos senadores Omar Aziz, Eduardo Braga e Plínio Valério; o governador também anunciou medidas preventivas para enfrentar possível estiagem severa no Amazonas

Após forte repercussão política e críticas públicas dos senadores Omar Aziz (PSD), Eduardo Braga (MDB) e Plínio Valério (PSDB), o governador Roberto Cidade (União Brasil) anunciou, nesta quinta-feira (11), a revogação do Decreto nº 54.200, que previa o remanejamento de R$ 100 milhões do fundo da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Os recursos seriam utilizados para recompor o fundo previdenciário do Estado, o Amazonprev, após perdas financeiras relacionadas ao investimento de R$ 50 milhões autorizado pelo ex-governador Wilson Lima (UB) no Banco Master, instituição ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, alvo de investigação da Polícia Federal e atualmente sob intervenção após liquidez decretada pelo Banco Central.

O anúncio foi feito durante coletiva na sede do Governo do Amazonas e ocorre após a medida gerar forte reação no meio político e acadêmico, diante do temor de impacto sobre a principal instituição de ensino superior do Amazonas.

Durante a coletiva, Roberto Cidade afirmou que os recursos da UEA permanecem contingenciados e poderão ser liberados conforme a necessidade da universidade, sem prejuízo às atividades acadêmicas, administrativas e de pesquisa.

O governador justificou as medidas de contenção fiscal diante da queda na arrecadação estadual e do cenário econômico adverso enfrentado pelo Amazonas.

Decreto sobre Emergência Climática

Além do tema envolvendo a UEA, Roberto Cidade também anunciou a decretação de emergência climática e ambiental preventiva por 180 dias no Amazonas. Segundo o governo, a medida busca preparar o Estado para uma possível estiagem severa em 2026, diante das previsões relacionadas ao fenômeno El Niño, com ações integradas de monitoramento, combate às queimadas e assistência às populações mais vulneráveis.

Questionado pela reportagem do Planeta92 sobre a adoção de medidas de grande impacto em ano eleitoral, Roberto Cidade afirmou que as decisões da gestão seguem critérios técnicos e têm como foco a prevenção e a responsabilidade fiscal diante dos desafios previstos para os próximos meses.