O governador tampão Roberto Cidade parece ter decidido reduzir — e muito — a presença do ex-governador Wilson Lima em sua campanha. Há mais de um mês, Wilson vem desaparecendo das redes sociais de Cidade, que passou a evitar publicar imagens e registros ao lado do antigo aliado.
O movimento chama atenção porque os dois estão no mesmo grupo político e já estiveram lado a lado em diversas agendas. Agora, porém, a estratégia parece ser outra: quanto menos Wilson aparecer, melhor para a imagem de Cidade.
O distanciamento já vinha sendo percebido antes da derrota recente de Wilson Lima no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, portanto, não seria consequência direta do revés judicial. A decisão apenas aumentou a pressão sobre o ex-governador e colocou ainda mais luz sobre o desgaste político que ele enfrenta.
Embora estejam em campanha, Cidade e Wilson já não fazem tantas aparições públicas juntos como faziam antes e seguem estratégias eleitorais cada vez mais distintas.
O cenário ganha ainda mais peso diante da rejeição enfrentada pelo ex-governador e dos problemas judiciais que ele responde no STJ.
De aliado estratégico a presença incômoda?
A situação expõe uma contradição política. Wilson Lima, presidente da federação União Progressista no Amazonas, foi um dos principais articuladores do grupo político que ajudou a construir a candidatura de Roberto Cidade ao Governo do Estado.
Agora, entretanto, o governador-tampão parece querer construir uma imagem própria, cada vez mais distante do ex-governador.
A estratégia é simples: manter a aliança política, mas reduzir a associação pública.
Nas redes, onde cada publicação é cuidadosamente escolhida para construir uma imagem junto ao eleitor, a ausência de Wilson chama ainda mais atenção.
Primeira derrota no STJ
Wilson Lima é réu na Ação Penal 993, que tramita no Superior Tribunal de Justiça e apura a compra de 28 respiradores durante a pandemia da Covid-19. Na denúncia recebida pelo STJ, o ex-governador responde por cinco crimes: dispensa ou direcionamento indevido de licitação; fraude à licitação com elevação arbitrária de preços; peculato; participação em organização criminosa; e embaraço às investigações relacionadas à organização criminosa.
A primeira derrota recente de Wilson no STJ ocorreu ontem (02/09), após a defesa tentar afastar a ministra Nancy Andrighi da relatoria do processo. O pedido foi rejeitado, mantendo a ministra à frente da ação.
O revés aumenta a pressão política e jurídica sobre o ex-governador, mas não explica o afastamento que já vinha sendo construído por Cidade há semanas.
Para analistas políticos, o movimento de Roberto Cidade tem um objetivo evidente: evitar que o desgaste de Wilson Lima seja transferido para sua própria campanha.
Ou, em outras palavras, Cidade parece querer os votos do grupo político de Wilson, mas sem carregar o peso político do ex-governador.
E, nas redes sociais, o recado parece estar sendo dado sem precisar de uma única palavra: Wilson está cada vez mais fora do feed de Cidade.
