Documentos apontam atraso em pagamentos, uso de mensalidades de alunos como garantia de dívidas e cobrança de credores; empresário acusa pré-candidata ao Governo do Amazonas de querer chegar ao cargo para quitar débitos
A situação financeira da Fametro, grupo educacional ligado à empresária e pré-candidata ao Governo do Amazonas, Maria do Carmo Seffair Lins, passou a ser alvo de questionamentos após documentos apontarem dívidas de aproximadamente R$ 193 milhões e atraso no pagamento de uma parcela de uma das operações financeiras.
Uma notificação da Oliveira Trust, representante dos investidores, informa que o Instituto Metropolitano de Ensino (IME), mantenedor da Fametro, deixou de pagar uma parcela da dívida com vencimento em 25 de maio de 2026.
Os documentos também apontam que o grupo utilizou mensalidades e matrículas de alunos, inclusive do curso de Medicina, como garantia de operações financeiras. Receitas de cartões de crédito e imóveis avaliados em R$ 192,6 milhões também aparecem entre as garantias apresentadas.
Diante das dificuldades financeiras, a instituição teria proposto aos credores o pagamento apenas dos juros, estimados em R$ 4 milhões mensais, com o adiamento da quitação de parte do valor principal da dívida. As reuniões com os credores foram suspensas, e um novo encontro está previsto para 4 de novembro.
CRÍTICAS À GESTÃO
O caso foi comentado pelo empresário e reitor do Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (Ciesa), Waldery Areosa. Em um vídeo publicado nas redes sociais, ele questionou a gestão financeira de Maria do Carmo e afirmou que a empresária pretende assumir o Governo do Amazonas para pagar suas dívidas.
A declaração representa uma acusação feita por Areosa e, por si só, não comprova que esse seja o objetivo da pré-candidata.
O empresário também questionou a evolução do patrimônio declarado por Maria do Carmo, que passou de R$ 14 milhões, em 2022, para R$ 118 milhões, em 2026. Segundo Areosa, a empresária também figura como fiadora das operações financeiras, ao lado de familiares.
IMPACTOS PARA OS ALUNOS
A utilização de receitas educacionais como garantia de operações financeiras também chama a atenção. Segundo as informações citadas, as garantias vinculadas às receitas da instituição se estendem até 2034.
O cenário levanta questionamentos sobre a saúde financeira do grupo e eventuais reflexos para estudantes, funcionários e fornecedores. No entanto, os documentos mencionados não comprovam, por si só, risco de fechamento da instituição ou interrupção das aulas.
