Chuvas intensas afetam toda Manaus, veja vídeos

A cada ano, temporais ficam cada vez mais fortes

Até o fim da manhã deste sábado, 25/3, a quantidade de chuva na cidade já havia sido maior que a registrada no último dia 12, quando houve desbarrancamento com vítimas fatais em área de risco. E, no acumulado deste mês, já choveu mais do que o esperado para todo o mês de março. Até as 12h deste sábado, a Defesa Civil Municipal já havia registrado uma média de 78,6 milímetros nas últimas 24 horas, com maior incidência na Zona Leste da cidade, com 122 milímetros, na Zona Oeste, 54 milímetros, na Zona Norte, 89 milímetros, na Zona Sul, 47 milímetros, e na Zona Centro-Oeste, 82 milímetros.

Estágio de atenção

Fábricas do Distrito Industrial foram afetadas

O Centro de Cooperação da Cidade (CCC) informa que Manaus está em “Estágio de Atenção”. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) disparou, nas primeiras horas da manhã deste sábado, o alerta de chuva intensa sobre a capital amazonense durante todo o dia. O alerta de perigo consiste em chuva entre 50 e 100 milímetros e ventos intensos (60 a 100 quilômetros por hora), além de um alto risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores e alagamentos.

Lojas também foram atingidas

“A previsão geral de chuva para a cidade está em 78 milímetros, porém, neste sábado, áreas mais vulneráveis, como a Zona Leste, chegaram a 122 milímetros, e a Zona Norte, 75 milímetros. Por isso, todo a nossa atenção para atender e evitar ocorrências graves nestas áreas da cidade”, disse o secretário-executivo de Proteção e Defesa Civil de Manaus, Gladiston Silva.

Em todas as zonas de Manaus as chuvas causaram estragos

O secretário municipal de Segurança Pública e Defesa Social, Sérgio Fontes, faz um alerta à população que, após o trabalho de retirada das áreas de risco deste sábado, não retornem às casas após a chuva. “A exemplo do domingo, dia 12 de março, a tragédia aconteceu sete horas depois que cessaram as chuvas. Então você, que foi retirado pela Defesa Civil, aguente e só retorne se for certificado que está seguro”, explicou Fontes.

Defesa Civil registra 135 ooorrências

A força das águas derrubou o que encontrou pela frente

O Centro de Cooperação da Cidade (CCC) e a Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Social (Semseg) registraram na Central 199 da Defesa Civil 135 ocorrências até as 18h deste sábado, sendo 62 de alagamentos, 25 de desabamentos e 22 de deslizamentos. Nenhum evento de risco quatro (o mais alto) foi registrado durante o sábado, mas a cidade continua em estágio de mobilização. As ocorrências de maior severidade até o momento aconteceram na Zona Leste, nos bairros Armando Mendes e Gilberto Mestrinho, e na Zona Sul, no Japiim.

Muitos ficaram desabrigados

Na Comunidade da Sharp, localizada no bairro Armando Mendes, aconteceu um desmoronamento de residência de madeira e as estruturas de algumas casas estão comprometidas com ameaça de desabamento. Dezessete famílias que residiam no entorno foram retiradas e alocadas na escola municipal Aristóteles Comte de Alencar. As famílias da comunidade da Sharp estão sendo atendidas pelo programa Prosamim + e, por isso, não podem ser inseridas no Auxílio Aluguel.

Os bairros mais carentes foram os que mais sofreram

Já no bairro Gilberto Mestrinho, uma casa de alvenaria desabou. A Defesa Civil já esteve no local e solicitou a retirada de três famílias e a inclusão das mesmas no aluguel social. Outro ponto da cidade que demandou atenção especial foi a comunidade Manaus 2000, no bairro Japiim, Zona Sul, onde ocorreu um desabamento envolvendo nove residências.

Foram registrados três tombamentos de árvores, na Avenida Epaminondas, área central, na Avenida Beira Rio, Zona Leste, e no Parque do Mindu no Parque 10 de Novembro, Zona Centro-Sul. Na escola municipal Armando de Souza Mendes e no Centro Cultural Municipal Aníbal Beça, ambos na Zona Leste, houve comprometimento da estrutura das escolas.

No Parque 10 de Novembro, na Rua Natori, uma caixa coletora ficou entupida por uma grande quantidade de lixo descartado de forma irregular. Também no bairro Parque 10, uma cratera se formou na Rua Dom João IV, devido ao rompimento da tubulação da rede de drenagem profunda que passa sob a via. A rede de drenagem estava obstruída com lixo, o que impediu a passagem correta das fortes chuvas nesta manhã.

Na Rua Penetração, do Conjunto Castanheira, no bairro Gilberto Mestrinho, Zona Leste, uma cratera de aproximadamente 8 metros se formou no local devido ao rompimento das tubulações de drenagem e desabou uma caixa coletora, ambos pela força da água da chuva. Na Zona Norte, na Avenida Torquato Tapajós, trecho próximo ao conjunto João Bosco, o igarapé transbordou e causou alagamento na avenida. Na Rua da Paz, no bairro Mauzinho, Zona Leste, um trecho da via afundou devido à fuga de material na tubulação da rede de drenagem.

Devido à alta na demanda da Central 199, a Defesa Civil ampliou o número de atendentes, buscando dar fluidez nas ligações e garantir que as famílias afetadas sejam atendidas.

Famílias desabrigadas são acolhidas em escolas

A Secretaria Municipal de Educação (Semed) disponibilizou duas escolas para abrigar as famílias que perderam as moradias após a forte chuva em Manaus neste sábado. As famílias estão sendo acolhidas na Escola Municipal Aristóteles Comte de Alencar, bairro Armando Mendes, na Zona Leste, e na Escola Municipal Jorge de Resende Sobrinho, bairro Tancredo Neves, também na Zona Leste. A Semed informa que não pode afirmar por quantos dias as aulas ficarão suspensas nas duas escolas.

As escolas estaduais Nathália Uchôa, no Japiim, Zona Sul, e Isaac Sverner, no São José, Zona Leste, também estão funcionando como abrigo para moradores afetados pela chuva.

A Igreja Católica Sagrada Família, localizada no bairro Japiim, também acolheu 19 pessoas que ficaram desabrigadas. Por lá, quatro salas foram disponibilizadas para acolher inicialmente os desabrigados.

A sociedade civil também tem ajudado, com doações de alimentos, água, roupas, fraldas descartáveis, material de limpeza e de higiene pessoal.

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