Entre denúncias e investigações, Maternidade Moura Tapajós, da Prefeitura de Manaus, vira destaque em ranking nacional

Unidade municipal já foi alvo de investigações do MPAM, paralisações e queixas de médicos, mas aparece entre os 100 melhores hospitais públicos do país

Mesmo acumulando denúncias e sendo alvo de investigações, a Maternidade Moura Tapajós, única unidade gerenciada pela Prefeitura de Manaus, aparece em um levantamento nacional que aponta os 100 melhores hospitais públicos do Brasil. Localizada na avenida Brasil, no bairro Compensa, zona Oeste da capital, a unidade já teve atendimentos paralisados por problemas estruturais e segue sob acompanhamento do Ministério Público do Amazonas (MPAM).

O ranking foi elaborado pelo Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (Ibross), em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), Instituto Ética Saúde (IES), Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) e Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

Segundo o médico sanitarista Renilson Rehem, ex-presidente do Ibross e coordenador do estudo, o levantamento busca valorizar o sistema público de saúde. Para ele, o objetivo não é apenas ranquear, mas dar visibilidade a boas práticas em hospitais públicos que, em geral, enfrentam dificuldades e recebem destaque negativo.

No Amazonas, dois hospitais estaduais — o Hospital Francisca Mendes e o Pronto-Socorro da Criança da Zona Leste — aparecem entre os 100 melhores do país. No âmbito municipal, a Maternidade Moura Tapajós figura entre as três unidades destacadas no estado, apesar do histórico de denúncias.

Em julho de 2024, um grupo de médicos da maternidade formalizou denúncia ao MPAM, solicitando intervenção do órgão diante de problemas recorrentes na unidade. Entre as queixas estavam a escassez de profissionais durante os plantões, com apenas três médicos para atender setores como admissão, pré-parto, centro cirúrgico e enfermarias, além de condições estruturais consideradas inadequadas, como infiltrações, vazamentos, forros danificados e centro cirúrgico insalubre.

A denúncia resultou na instauração de um procedimento administrativo, em agosto do mesmo ano, para acompanhar a reforma estrutural da maternidade. Parte dos problemas só começou a ser corrigida em maio de 2025, quando os atendimentos obstétricos e cirúrgicos foram suspensos para a substituição do telhado, sendo retomados apenas no início de junho.

No mês seguinte, novas críticas ganharam repercussão após o caso de uma gestante de 30 semanas que denunciou a unidade após receber diagnóstico de óbito fetal. Posteriormente, em outra maternidade da capital, foi constatado que o feto apresentava batimentos cardíacos, o que colocou em dúvida o laudo inicial emitido na Moura Tapajós.

Além disso, a maternidade também é investigada pelo MPAM por possível uso irregular de atestados médicos por servidores. As apurações indicam que profissionais afastados por motivos médicos estariam atuando em cooperativas e hospitais privados nos mesmos períodos, enquanto pacientes seriam orientados a procurar atendimento em outras unidades devido à falta de pessoal.