Pesquisa realizada por cientistas da Alemanha e dos Estados Unidos identificou efeitos protetores em filhotes de camundongos cujas mães receberam uma preparação bacteriana antes da reprodução
Uma bactéria presente naturalmente no solo pode contribuir para a proteção do organismo contra determinadas consequências do estresse prolongado. A possibilidade foi identificada por pesquisadores da Alemanha e dos Estados Unidos em um estudo publicado em maio de 2026 na revista científica Molecular Psychiatry.
A investigação analisou a Mycobacterium vaccae, um microrganismo estudado por sua possível atuação na regulação do sistema imunológico e nos mecanismos biológicos relacionados ao estresse.
Durante os experimentos, os cientistas administraram uma preparação da bactéria, previamente inativada pelo calor, em camundongas antes da reprodução. Posteriormente, observaram que os filhotes machos apresentaram maior resistência a determinadas alterações físicas e imunológicas associadas ao estresse crônico.
Um dos aspectos identificados foi que os descendentes demonstraram esses efeitos mesmo sem receber diretamente a preparação bacteriana.
Alterações na microbiota intestinal chamam atenção dos pesquisadores
Além das respostas relacionadas ao estresse, os pesquisadores identificaram modificações na microbiota intestinal dos animais, conjunto de microrganismos que desempenha funções importantes no equilíbrio do organismo.
Os resultados indicam uma possível conexão entre a composição da microbiota, o funcionamento do sistema imunológico e a maneira como o corpo reage a situações prolongadas de estresse.
A pesquisa também levantou a hipótese de que a exposição materna à bactéria possa influenciar mecanismos biológicos de proteção transmitidos à geração seguinte.
Resultados ainda precisam ser confirmados em seres humanos
Apesar das descobertas, os cientistas destacam que os experimentos foram realizados exclusivamente em animais, o que impede a aplicação direta dos resultados à saúde humana.
Até o momento, não existem evidências clínicas suficientes para afirmar que a Mycobacterium vaccae possa prevenir ou tratar ansiedade, transtornos relacionados ao estresse ou outras condições de saúde mental em pessoas.
Novas investigações deverão esclarecer os mecanismos envolvidos nessa resposta biológica e determinar se os efeitos observados em laboratório também podem ocorrer em seres humanos.
