Dono da agência Revoar afirmou à polícia que passagens do prefeito foram pagas em espécie por assessora apontada como elo do crime organizado
A operação Erga Omnes avançou sobre um novo e explosivo capítulo das investigações que atingem o núcleo da Prefeitura de Manaus: o pagamento, em dinheiro vivo, da viagem do prefeito David Almeida e da primeira-dama Izabelle Fontenelle ao Caribe durante o carnaval de 2025. O episódio passou a ser tratado pelos investigadores como um dos pontos centrais para rastrear a origem de recursos suspeitos movimentados pelo grupo investigado.
Em depoimento à Polícia Civil do Amazonas, o empresário Alcir Queiroga Júnior, proprietário da Revoar Turismo, afirmou ter recebido aproximadamente R$ 34 mil em espécie pela emissão das passagens aéreas. A viagem teve como destino as ilhas de Saint Martin e Saint Barth. Segundo ele, o valor foi entregue à vista por Anabela Cardoso, assessora ligada diretamente ao prefeito, sem qualquer transação bancária registrada.
O empresário detalhou ainda que o pagamento teria sido realizado com cédulas de R$ 50 e R$ 100. Trecho do depoimento divulgado pela Revista Cenarium confirma que “o pagamento por essas passagens foi feito à vista, em dinheiro em espécie”, reforçando a suspeita de tentativa de ocultação da origem dos valores.
A investigação aponta que a assessora Anabela Cardoso Freitas, citada no inquérito como possível ligação entre o crime organizado e a estrutura municipal, também seria responsável pela compra frequente de passagens para o prefeito, familiares e pessoas próximas. Para os investigadores, o padrão levanta indícios de um possível esquema de intermediação financeira fora dos canais oficiais.
Questionado sobre a procedência do dinheiro, o dono da agência declarou não saber se os valores teriam origem no tráfico de drogas, no crime organizado ou em eventual desvio de recursos públicos. A Revoar Turismo aparece nas apurações como empresa sob suspeita de participação em movimentações financeiras utilizadas para lavagem de dinheiro.
A operação investiga a circulação de cerca de R$ 70 milhões atribuída a uma organização criminosa que teria se infiltrado em setores estratégicos da Prefeitura de Manaus e em outros órgãos públicos do estado. O empresário negou ter recebido um único repasse de R$ 1,35 milhão, mas admitiu diversos pagamentos fracionados que, somados, poderiam atingir cifras milionárias.
Até o momento, além de Queiroga Júnior e Anabela Freitas, outras 11 pessoas foram presas. A Polícia Civil apura a atuação de integrantes do Comando Vermelho dentro da administração municipal, ampliando a crise política que envolve diretamente o entorno do prefeito.
