Influenza A e Vírus Sincicial Respiratório dominam internações no País

Ao analisar a influenza A, observa-se uma situação de reversão e de interrupção no crescimento na região Nordeste

Apesar de haver alguns casos associados também ao rinovírus, o predomínio das internações de SRAG atualmente no país continua sendo pela influenza A e pelo VSR. Ao analisar a influenza A, observa-se uma situação de reversão e de interrupção no crescimento na região Nordeste, com início de queda em vários estados.

No Centro-Sul brasileiro, no entanto, há um número maior de estados que continuam com aumento, embora alguns deles já comecem a pelo menos diminuir o ritmo de crescimento semanal. Já em relação ao VSR, o quadro ainda é mais homogêneo pelo país, mantendo o conjunto de estados com cenário de aumento.

Pesquisador do Programa de Computação Científica (Procc/Fiocruz) e coordenador do InfoGripe, Marcelo Gomes comenta sobre o panorama e faz apelos aos cuidados. “De maneira geral, continuamos tendo volumes importantes de internações por infecções respiratórias. Quando olhamos para o agregado nacional, temos uma situação de platô, então continuamos com as recomendações fundamentais e básicas, ou seja, vacinação contra a gripe, especialmente para quem é grupo de risco, e uso de boas máscaras para toda e qualquer pessoa que estiver com sintomas de resfriado, de gripe e qualquer um que for a uma unidade de saúde”, destaca Gomes.

Ele ainda ressalta que, independente do motivo da visita ao posto de saúde, o uso de máscara é fundamental para evitar o contágio e a circulação de tais vírus. “São pequenos cuidados que cada um de nós pode tomar nesse momento que vão acabar ajudando toda a população”.

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos como resultado positivo para vírus respiratórios foi de influenza A (25,8%), influenza B (0,4%), vírus sincicial respiratório (56%) e Sars-CoV-2/Covid-19 (4,5%). Entre os óbitos, a presença desses mesmos vírus entre os positivos foi de influenza A (47,6%), influenza B (0,3%), vírus sincicial respiratório (17,6%), e Sars-CoV-2/Covid-19 (26,6%).

Estados e capitais

A atualização aponta que 17 estados apresentam crescimento de SRAG na tendência de longo prazo: Acre, Amazonas, Amapá, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Rondônia, Roraima, Santa Catarina e Sergipe.

Entre as capitais, 11 mostram indícios de aumento de SRAG: Aracaju (SE), Boa Vista (RR), Cuiabá (MT), Florianópolis (SC), Goiânia (GO), Macapá (AP), Natal (RN), Porto Velho (RO), Rio Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ) e São Luís (MA).

Resultados positivos para vírus respiratórios e óbitos em 2024

Referente ao ano epidemiológico 2024, já foram notificados 63.489 casos de SRAG, sendo 30.918 (48,7%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 22.939 (36,1%) negativos, e ao menos 6.047 (9,5%) aguardando resultado laboratorial. Dados de positividade para semanas recentes estão sujeitos a grandes alterações em atualizações seguintes por conta do fluxo de notificação de casos e inserção do resultado laboratorial associado. Dentre os casos positivos do ano corrente, tem-se influenza A (18,8%), influenza B (0,4%), vírus sincicial respiratório (42,6%) e Sars-CoV-2/Covid-19 (25,3%).

Em relação aos óbitos de SRAG de 2024, independentemente da presença de febre, já foram registrados 4.162 óbitos, sendo 2.362 (56,8%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 1.433 (34,4%) negativos, e ao menos 123 (3,0%) aguardando resultado laboratorial. Dentre os positivos do ano corrente, tem-se influenza A (22%), influenza B (0,4%), vírus sincicial respiratório (6,8%) e Sars-CoV-2/Covid-19 (66,8%).