TSE cobra explicações de Meta e X após denúncia de tratamento desigual entre Lula e Flávio Bolsonaro

Campanha de Lula questiona remoção de vídeo, alcance de publicações políticas e respostas da inteligência artificial Grok; ministro determina revisão humana de conteúdo retirado do Instagram

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que a Meta, responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, e a plataforma X prestem esclarecimentos, no prazo de 24 horas, sobre a remoção de publicações e os critérios utilizados para distribuir conteúdos políticos aos usuários. A decisão foi tomada pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, após questionamentos apresentados pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A representação foi apresentada pela equipe jurídica de Lula, candidato à reeleição, que aponta suspeitas de tratamento desigual entre conteúdos relacionados à sua campanha e publicações associadas ao adversário Flávio Bolsonaro, que disputa o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

A medida ocorre às vésperas da votação, marcada para domingo (25), e busca esclarecer possíveis diferenças na moderação e na distribuição de conteúdos eleitorais nas plataformas digitais.

Campanha de Lula questiona remoção de vídeo no Instagram

Entre os episódios apresentados ao TSE está a retirada de um vídeo do projeto Revelando, apresentado pelo artista MC Cabelinho, que continha críticas ao candidato Flávio Bolsonaro.

Segundo a campanha de Lula, o material foi removido do Instagram na quinta-feira (22), pouco depois de sua publicação, sob a justificativa de utilização excessiva de inteligência artificial.

Ao analisar o caso, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva considerou que a proximidade do segundo turno exige esclarecimentos sobre os motivos da remoção.

Na decisão, o corregedor afirmou que a situação “justifica a adoção de providências destinadas a esclarecer os fundamentos da remoção e a assegurar sua pronta reavaliação”.

O magistrado, entretanto, ressaltou que as informações apresentadas até o momento não são suficientes para comprovar que o vídeo recebeu tratamento diferenciado por razões político-eleitorais.

Como providência, determinou que a Meta realize uma revisão humana do conteúdo removido, permitindo uma nova avaliação dos critérios utilizados pela plataforma.

Alcance de publicações políticas também é questionado

A campanha do presidente também apresentou reclamações relacionadas à distribuição de anúncios eleitorais pagos e ao alcance de publicações nas redes sociais.

De acordo com a representação, conteúdos patrocinados pelas campanhas oficiais estariam recebendo níveis diferentes de distribuição, com suposta redução do alcance de materiais ligados a Lula.

A equipe jurídica do candidato afirma ainda que publicações relacionadas ao campo político adversário apresentariam alcance proporcionalmente maior.

As alegações motivaram o pedido de esclarecimentos sobre os critérios utilizados pelas plataformas para recomendar, impulsionar ou restringir conteúdos de natureza política.

Até o momento, não há conclusão judicial de que as diferenças apontadas tenham resultado de favorecimento deliberado a qualquer candidatura.

Inteligência artificial Grok entra na investigação

Outro ponto levantado pela campanha de Lula envolve o funcionamento do Grok, ferramenta de inteligência artificial integrada à rede social X.

Segundo a representação, o sistema apresentaria respostas diferentes quando questionado sobre assuntos semelhantes envolvendo os dois candidatos à Presidência da República.

A defesa do presidente sustenta que essas diferenças precisam ser esclarecidas para verificar se existe tratamento desigual na apresentação de informações políticas aos usuários.

O pedido de explicações busca compreender o funcionamento da ferramenta e os critérios empregados na geração de respostas relacionadas às candidaturas.

As suspeitas apresentadas ainda dependem de análise técnica e dos esclarecimentos solicitados à empresa.

Meta nega favorecimento entre campanhas eleitorais

Em manifestação encaminhada ao presidente do TSE, ministro Nunes Marques, a Meta negou que esteja adotando tratamento diferenciado entre as campanhas presidenciais.

A empresa afirmou que respeita as regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral brasileira e que suas plataformas seguem os procedimentos aplicáveis à moderação de conteúdos políticos.

Apesar da manifestação, a decisão do corregedor determina novos esclarecimentos sobre os episódios específicos apresentados pela campanha de Lula.

A análise deverá considerar os critérios utilizados para remover publicações, distribuir anúncios e recomendar conteúdos relacionados ao processo eleitoral.

TSE intensifica diálogo com plataformas antes do segundo turno

Nesta sexta-feira (23), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Nunes Marques, tem prevista uma última reunião com representantes das principais plataformas digitais antes da votação de domingo.

O encontro deve reunir empresas responsáveis por redes sociais como Instagram, Facebook, TikTok e Kwai.

A iniciativa integra as ações da Justiça Eleitoral voltadas ao acompanhamento da circulação de conteúdos políticos e ao cumprimento das regras eleitorais no ambiente digital.

Com o prazo de 24 horas estabelecido para Meta e X, o tribunal busca reunir informações sobre as reclamações apresentadas antes da realização do segundo turno.

A decisão não representa reconhecimento de favorecimento político por parte das plataformas, mas uma medida para esclarecer os fatos e avaliar eventuais providências adicionais.